IBM lançará computador quântico comercial

O processador quântico da IBM é baseado em qubits supercondutores. [Imagem: IBM]
O processador quântico da IBM é baseado em qubits supercondutores. [Imagem: IBM]
Upgrade quântico

A IBM anunciou que fará um upgrade do seu processador quântico disponível pela internet gratuitamente, passando a máquina de 5 para 20 qubits.

Embora haja discordâncias entre os cientistas da computação, algumas estimativas dão conta de que um processador quântico na faixa entre 50 e 100 qubits será mais poderoso do que qualquer supercomputador existente, ao menos para determinados tipos de programas.

Desde que foi colocado no ar, em maio do ano passado, o ambiente quântico online da IBM criou uma comunidade de mais de 40.000 usuários, que rodaram 275.000 pequenos programas experimentais. Embora o processador de 5 qubits não seja mais poderoso do que um notebook, o desenvolvimento de algoritmos quânticos é um dos grandes desafios para essa próxima geração da tecnologia da informação.

Entre os experimentos feitos no Quantum Experience, uma equipe da Universidade de Maryland rodou um comparativo entre o processador quântico da IBM e o processador construído pela própria equipe, que usa 5 qubits de íons aprisionados em armadilhas magnéticas, uma abordagem distinta dos qubits supercondutores. A conclusão é que o processador da IBM é mais rápido, mas oferece menos precisão. E a precisão – ou, dito de outra forma, o recurso de correção de erros – é um dos grandes desafios para a construção de processadores quânticos práticos e universais.

A interface com o processador quântico, chamada Composer, facilita o acesso aos qubits e circuitos lógicos, permitindo testar algoritmos que são muito diferentes dos usados nos computadores eletrônicos. [Imagem: IBM]
A interface com o processador quântico, chamada Composer, facilita o acesso aos qubits e circuitos lógicos, permitindo testar algoritmos que são muito diferentes dos usados nos computadores eletrônicos. [Imagem: IBM]

Processador quântico comercial

Com base no sucesso alcançado, a IBM também anunciou a disponibilização de um serviço comercial baseado em processadores e simuladores quânticos. O sistema, batizado de IBM Q, deverá ir ao ar até o final deste ano, e sua utilização será feita mediante o pagamento de uma assinatura, cujo valor ainda não foi divulgado.

Em nota, a empresa anunciou o desenvolvimento de uma interface mais amigável, que permitirá que os programas sejam escritos usando linguagens de programação comuns, como a Python. Mas ainda não está claro se os serviços se basearão em simuladores de circuitos quânticos ou somente em um processador quântico real.

A empresa vem apostando nos qubits supercondutores, que funcionam em um ambiente criogênico. Várias equipes já construíram processadores similares de pequeno porte, mas seu funcionamento é delicado e requer atenção contínua de físicos especializados. A construção de um processador quântico “de uso geral”, sobretudo um que possa ser operado de maneira transparente por usuários não-especializados, é tido como o grande avanço para a área da computação quântica – mas ainda não está claro se o IBM Q já deu esse passo.

A empresa canadense D-Wave oferece computadores quânticos há vários anos, mas seus processadores não são universais, podendo rodar apenas alguns tipos específicos de algoritmos quânticos. O Google também está investindo pesado em uma versão híbrida de processador quântico, além de ter interesse na própria D-Wave.

Bibliografia:

Experimental Comparison of Two Quantum Computing Architectures
N. M. Linke, D. Maslov, M. Roetteler, S. Debnath, C. Figgatt, K. A. Landsman, K. Wright, C. Monroe
arXiv
https://arxiv.org/abs/1702.01852

Categories: Eletrônica, Geral, Hardware